O viajante que, por estrada ou caminho de ferro, percorra as margens do Tejo, habituado a ver os castelos alcandorados nos montes mais elevados, ficará surpreso ao deparar subitamente com a imagem quase irreal de um castelo no meio da água, emergindo por entre um maciço de verdura. Desafiando a inclemência dos séculos e o alheamento dos homens, ergue-se no meio do Tejo, imponente mas gracioso, o vetusto Castelo de Almourol, sentinela vigilante e protectora daquelas águas que beijam ternamente a ilhota onde está implantado.
Situado na freguesia de Praia do Ribatejo, a cerca de 4 kms a nascente de Vila Nova a Barquinha e próximo da povoação de Tancos, ocupa a parte mais elevada de um afloramento granítico que é uma pequena ilha de 310 metros de comprimento por 75 metros de largura máxima. As águas, ao longo dos séculos, escavaram as areias do lado de montante para as depositar a jusante, dando uma forma alongada à ilha. Assim, deste lado é formada por um extenso areal em suave
declive para a água que do lado do monte é constituída por um maciço rochoso, que se eleva abruptamente a partir das águas. É nesta parte, simultaneamente, a mais firme e a mais elevada, que se erguem os muros e terrões do castelo.